O Pantanal é a maior planície alagada do mundo. Com uma área de cerca de 250 mil Km², estende-se pela Bolívia, Paraguai e Brasil, sendo que mais da metade está presente nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nós conhecemos o Pantanal Sul que é cortado pela Estrada Parque, são 120km de estrada de terra com 72 pontes que formam um visual incrível.

Partimos de Bodoquena sentido Pantanal com a intenção de fazer uma pequena parada no caminho. Como já dissemos aqui, uma coisa que aprendemos é de sempre pedir algumas dicas pros moradores da região que você está conhecendo, e foi isso mesmo que a gente fez.

O Marquinho do Refúgio Canaã nos falou que na rodovia que leva até a Estrada Parque é possível encontrar a “Maria dos Jacarés” uma senhora que já apareceu em alguns programas de TV, e é conhecida por chamar os Jacarés do Rio utilizando um berrante. O problema aqui é que hoje, por causa da pequena fama, ela costuma cobrar R$ 50,00 para chamar os Jacarés. A dica de ouro do Marquinho foi passar a ponte e falar com o ex-marido da dona Maria pois ele não cobrava para fazer o mesmo, ou seja, chamar os jacarés.

Paramos na vendinha do seu “Airton” que rapidamente nos levou até a beira do rio e começou a chamar jacarés, só que em vez do berrante ele chamou no grito mesmo, como se estivesse chamando um cachorro! Foi impressionante, ainda mais pra gente que nunca tinha chegado perto de um animal desses.

Além disso conhecer o seu Airton foi um caso a parte, é um senhor super simples e simpático, que fala rápido e com sotaque forte, mas tem um coração super bom, além de chamar os jacarés ainda ofereceu café e agua pra gente e não deixou pagar <3

Logo em seguida, a ideia era seguir direto para a Estrada Parque mas descobrimos que não havia mais nenhum posto de gasolina pela região e como não queríamos correr o risco de passar um sufoco no meio da estrada de terra, achamos melhor seguir para Corumbá, abastecer e começar a aventura pela Estrada Parque no dia seguinte de manhã. Fica a dica, se for fazer esse trajeto abasteça em Miranda, saindo da cidade não tem posto antes da Estrada Parque, aí para abastecer só chegando perto de Corumbá.

A Estrada Parque do Pantanal

Pegamos a Estrada Parque logo cedo partindo de Corumbá, a aventura pelo Pantanal estava só começando, seriam 120KM de estrada de terra, 72 pontes e muitos jacarés, tuiuiús, borboletas e piranhas pra ficar na memória.

Antes da viagem, sempre que pesquisávamos algo sobre dirigir pelo Pantanal era indicado um veículo 4×4, o que faz bastante sentido se a gente pensar que o Pantanal é a maior planície alagada do mundo. Mas o que pouca gente sabe é que durante a época de seca (de Junho a Setembro) a Estrada Parque fica com condições de receber carros de passeio. Fomos em setembro com meu modesto Nissan March e ele cumpriu bem seu papel.

Na nossa jornada por entre as pontes do Pantanal Sul descobrimos que o ponto alto no trajeto é parar de ponte em ponte e observar a paisagem que vai mudando sutilmente e os animais que vão desde jacarés, tuiuiús, borboletas, piranhas e até uma boiada pelo caminho.

Escolha algumas pontes para descer do carro e experienciar o charme do lugar, só tome bastante cuidado com os vãos entre as placas de madeira das pontes, um pouco antes de tirar essa foto, coloquei a chave do carro no bolso do Renan, mas não sabia que o bolso estava furado por dentro, a chave caiu e por questão de centímetros não passou pelo vão. Tivemos sorte pois se ela caísse no rio abaixo cheio de Jacaré nós estaríamos sem carro e sem sinal de celular bem no meio do Pantanal, ou seja, todo cuidado é pouco.

Um pouco depois do início da estrada chegamos no Porto da Manga, única parte que realmente não tem como passar de carro, seja ele 4×4 ou não, você terá que pagar a balsa para seguir viagem. Pagamos R$ 50,00, valor somente aceito em dinheiro, a travessia foi rápida e tranquila.

Durante todo o caminho a estrada é uma reta constante, com exceção da Curva do Leque única curva pelo caminho. Nesse local a estrada se divide, em um lado é a continuação da Estrada Parque e o outro é uma estrada de areia (somente para 4×4) que segue Pantanal adentro. Existem passeios na região que levam por esse caminho, mas ficou para uma próxima visita, nessa viagem seguimos com nosso carrinho optando pelo caminho seguro da Estrada Parque.

Na Curva do Leque há um bar, conhecido como Qué Qué, nesse lugar você pode comprar uma cervejinha e se informar sobre o caminho. Nele recebemos a dica de que havia alguns Tuiuiús, ave símbolo do Pantanal, ali próximo e corremos para ver pessoalmente. A dica era quente e o resultado foram essas imagens incríveis:

Passando a Noite no Pantanal

Todo o trajeto da Estrada Parque pode ser realizado em um dia, mas nós queríamos aproveitar cada detalhe e resolvemos realiza-lo em dois. Não nos planejamos quanto a lugar para dormir, mas grande parte das opções eram grandes hospedarias e hotéis claramente preparados para receber estrangeiros. Infelizmente o Pantanal é muito mais visitado por gringos do que por brasileiros, uma pena que muitos do nosso povo não dão muita importância para as belezas naturais que temos por aqui. Por esse motivo, as opções de lugar para dormir são caras e muitas vezes cobradas em dólar, mas nós Traveleiros sabemos que tudo pode ser resolvido com uma conversa.

E assim conversando que conseguimos acampar por um preço bem pequeno em um hotel-fazenda chamado Arara Azul, local super aconchegante e cheio de estrangeiros. Acampamos em um salão externo e conhecemos o Américo, cozinheiro do local que nos recebeu super bem.

Lá fora ameaçava chover e mesmo em temporada de seca ficamos receosos de que houvesse chuva na noite pois víamos muitos raios e luzes no céu, mas a chuva mesmo não chegou, só ventania e mosquitos, muuuuitos mosquitos, praticamente choveu mosquito.

Animais pelo caminho

Na manhã seguinte, pegamos a estrada no sentido contrário, rumo a curva do leque pra tentar tirar fotos dos tuiuiús com uma luz melhor, mas já não havia nenhuma ave nesse local, em compensação encontramos mais jacarés e como eles estavam em um local mais acessível o Renan e Pai dele foram tirar fotos mais de perto, nesse momento eu entrei em pânico pois tive a certeza de que me tornaria viúva antes mesmo do casório. O fato é que eles entendem que os Jacarés são perigosos e velozes na água, mas bem lentos e mais inofensivos em terra, eu ainda acho loucura, mas devo confessar que as fotos ficaram ótimas!

De volta para a Estrada, agora em sentido correto, encontramos uma boiada pantaneira, tradição na região que nem sempre é possível ver. Foi muito interessante ver a organização dos homens montados a cavalo levando os gados para uma nova fazenda, experiencia única.

Pescando Piranha no Pantanal

Um pouco mais para o fim da estrada vimos uma placa da Pousada Santa Clara onde era possível realizar pesca com piranha, como a pescaria é bem comum no Pantanal a gente sentiu que era isso que estava faltando na nossa viagem e corremos para lá.

Como a maioria dos passeios pagos no Pantanal, o valor foi um pouco salgado, R$ 70,00 por pessoa, mas temos que admitir que valeu a pena! O passeio é feito de barco e só o percurso no Rio Abobral já é uma atração a parte. A pesca de piranha é feita de forma sustentável e é proibido o uso de varas profissionais com molinete, nós utilizamos varas simples de bambo que o próprio guia fez. Eu nunca havia pescado e apesar de não ter rendido muito (pescamos 3 piranhas mirradinhas) achei que a experiência foi muito boa.

As pequenas piranhas que pescamos não serviriam pra comer então entregamos para o guia alimentar os jacarés, imagina a nossa surpresa quando ele começa a chamar o Jacaré igual cachorro da mesma forma que o querido Seu Airton lá da beira da estrada? Foi muito divertido e impressionante conhecer essa relação tão próxima dos moradores do Pantanal com os temidos e selvagens Jacarés.

Nosso passeio estava chegando ao fim mais ainda faltava mais um momento que é bem característico da região: um por do sol laranjão! Fomos presenteados com esse momento ao passar pela última ponte, de alvenaria e já fora da estrada, em cima do rio Miranda o sol se pós para nós iluminando o Pantanal uma última vez.


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